Há quatro anos, quando iniciei a publicação dos boletins, que hoje somam mais de 50, espalhados no site da Óptima, blog e outros que não estão publicados na internet, meu pai fez um alerta. Ele disse que eu deveria apenas falar sobre as questões práticas da economia sem me envolver na política e suas paixões. Talvez ele estivesse certo. No entanto, minha resposta foi: Para escrever o que todo mundo escreve, não vale a pena. Já há um número enorme de pessoas escrevendo e, se fizermos um balanço, escrevem praticamente a mesma coisa. Prefiro escrever o que ninguém quer escrever ou não tem coragem para escrever. Neste sentido, dedico o boletim de setembro à minha Pátria.
O dia da Pátria. 7 de setembro de 2009.
O Poder legislativo:
Em tese, o poder legislativo federal formado, no Brasil, pelos senadores e deputados eleitos pelo povo, deveria ser a representação da vontade popular, da soberania do povo, que delega aos seus representantes seu poder. Para tal é firmado um compromisso entre o povo, o eleitor, e seus representantes e os Partidos políticos, nos quais estão filiados. Este compromisso foi desrespeitado em todos os sentidos. Os deputados e senadores, como ficou claro, com os inúmeros escândalos envolvendo compra de votos, passagens aéreas da alegria, castelos, e outros absurdos, estão ali para defender seus interesses pessoais e os dos grupos para os quais devem favores, entre eles, recursos, contabilizados ou não, para suas campanhas. Não haveria problema, se tivessem declarado isso para o eleitor. Mas, não o fizeram, prometeram o contrário.
No Senado, a situação chegou ao fim de qualquer pudor ou consideração para com as promessas feitas ao eleitor. Há senadores que, não podem olhar seus filhos, nos olhos. O presidente do senado foi pego, com a boca na botija, praticando confessado nepotismo, favorecendo parentes, amigos, namorados, com empregos, intermediação de verbas, desvios de recursos de empresas públicas e o notório controle sobre o Estado brasileiro e sobre o Maranhão, há décadas. Provas na Polícia Federal foram parar na Imprensa. O presidente do Senado, se valendo da amizade com um juiz, companheiro de festas e convescotes, impôs censura ao Jornal o Estado de São Paulo. Censura que perdura há 36 dias. Ameaçado por 11 denúncias e representações, montou um Conselho de Ética, às pressas, formado por senadores suplentes, sem nenhum compromisso com o eleitor, com a Pátria e, muito menos, com a Ética. Este conselho, sumariamente, em um dos espetáculos mais sórdidos e indecentes já transmitidos pela televisão brasileira, arquivou sem qualquer investigação as 11 denúncias e representações. Assistimos aos espetáculos lamentáveis, no plenário da Casa, insultos, palavrões, ameaças, tropa de choque, deselegância para com a mulher, besteiras, cinismos, discursos contra tudo que é honesto e decente. O vínculo do legislativo com a população foi irremediavelmente rompido. A Câmara dos deputados se transformou no palco de desesperados, que procuram agradar a todos, na esperança de renovarem seus mandatos. Precisam mostrar serviço ao governo, mas, não podem fazê-lo sem prejudicar a população, como no caso dos impostos que o governo tentará criar e aumentar. O Senado acabou. A Casa dos horrores, como seus fantasmas, encarnados e desencarnados, a vagarem pelos corredores à procura de uma oportunidade de enriquecimento ilícito, vantagens e qualquer negócio lucrativo, mesmo que destrua a Pátria, se destruiu. O Legislativo brasileiro perdeu sua legitimidade. Em particular, os senadores, só estão lá, nos seus cargos e assentos, porque não têm a mínima vergonha na cara. A mínima. Li ontem, em algum lugar: “O legislativo se tornou um poder inútil”.
O Poder Judiciário:
O Judiciário brasileiro sempre foi um dos obstáculos ao progresso do país e do povo. Sua origem, um tanto aristocrática, sempre o colocou distante da simplicidade da população e, o que é pior, dos seus anseios e sonhos. A morosidade, o excesso de oportunidades para o retardamento de decisões, sempre bem aproveitadas por advogados caros, a papelada, o falatório, as idas e vindas, o desespero daquele que depende da decisão, para resolver questões cruciais de sua vida, são as marcas da nossa Justiça. Tão lenta, não é Justiça. O Caso “internacional” do menino SG, desafiando qualquer lógica e bom senso, se arrasta como se a vidas das pessoas e deuma criança não estivessem a depender, das decisões de suas excelências. Uma vergonha.
A notória vocação do nosso Judiciário para punir com rigor o pobre e sequer processar o rico e poderoso é outra faceta de uma sociedade muito doente. Jamais esquecerei a foto do caseiro saindo cabisbaixo, do plenário do Supremo Tribunal Federal. O ex-ministro, garboso, já se prepara para tentar governar qualquer coisa. Não importa se a Presidência da República ou o Governo de São Paulo. O importante é estar no poder. O Poder.
O Supremo vinha numa caminhada acertada, cooperando com a Sociedade brasileira e conduzindo a nação rumo ao futuro, com decisões históricas como, a relativa às pesquisas com células-tronco, revogação da Lei de imprensa, corretamente atribuindo aos Partidos políticos a posse do mandato e proibindo o nepotismo, entre outras. De repente, deu uma guinada. Finge que não vê a escandalosa censura à imprensa e se acovarda diante do apelo de alguns senadores, para que José Sarney, seja, pelo menos, investigado, mediante uma decisão do plenário. Arquivou, também, processos contra deputados da base do governo e, no embalo, neste contexto que estamos vivendo, encaminhou proposta de aumento dos vencimentos dos senhores ministros em 14,09% elevando os referidos vencimentos, para R$ 27,5 mil. Deve ser fantástico ganhar isso por mês. Infelizmente, nossos ministros estão começando a ficar caros. A Sociedade brasileira não pode mais confiar no Judiciário, que pena.
O Poder Executivo:
Um dos maiores erros que cometemos, como nação e como Estado, foia adoção do regime presidencialista que coloca o presidente como chefe de Estado e chefe de governo. Temos uma crise atrás da outra. Escândalos se sucedem e não há forma de resolver o problema, a não ser, agüentarmos a situação até o fim do mandato, ou, um golpe. Agora estamos diante de um quadro interessante. Temos um presidente que está envolvido em mensalões, irregularidades na Petrobras, quer até ser presidente da estatal. Destruiu o Senado e seu próprio Partido, está propondo medidas e investimentos de forma irresponsável, apenas para garantir resultados eleitorais, distribui bilhões como se fossem confetes, deu, “toma lá”, US$10 bi para o FMI, como se o dinheiro fosse seu. Emprestou dinheiro público para o setor privado, seus amigos, é claro. Ele não pode ser investigado ou responsabilizado, porque apresenta altos índices de aprovação popular. Como se a aprovação fosse da desonestidade e roubalheira. De todos, o presidente Lula foi o que mais mentiu e enganou. Basta vermos as gravações de suas campanhas ao logo dos anos. Lá, estão as ideias que defendia. A defesa da ética na política, da honestidade, do desenvolvimento “real” do país, da esperança que vencia o medo, está tudo, lá. Agora só sobrou o medo. Medo do que está fazendo e, poderá fazer, com o país de todos nós. Dentre todos, Lula é a maior traição e a maior decepção. O homem simples que se deixou envolver pelas delícias do poder e que será capaz de fazer qualquer coisa, qualquer coisa, para manter seu esquema de poder. Um perigo. No mensalão observamos o maior esquema de compra votos de parlamentares, que se tem notícia. No bolsa-família, temos o maior sistema de compra de votos populares, que se tem notícia. Fome zero, PAC, “minha casa minha vida” e agora “o pré-sal é nosso” são esquemas para desviar dinheiro público, beneficiar aliados, empregar namorados, e, principalmente, garantir apoio e recursos para a campanha de 2010, a única meta e destino, que Lula enxerga.
O 4º Poder, a Imprensa:
Da mesma forma que o Judiciário, a Imprensa vinha impulsionando a sociedade para um século XXI promissor. Informando, debatendo e denunciando as irregularidades. No caso Sarney, por aproximadamente 90 dias manteve o foco e o vigor jornalístico no caso. Um recorde. Custou caro ao presidente Lula, mantê-lo no cargo. No entanto, de repente, veicula propaganda da Petrobras, o que compromete de forma irreparável a qualidade e a credibilidade do seu jornalismo. Que todos os telejornais, neste país, são patrocinados por Bancos estatais e particulares, empresas estatais ou extremamente ligadas aos interesses do governo, já estávamos acostumados. Mas, veicular propaganda da Petrobras, é demais. Até o Estadão, foi nessa. Preocupada com as contas, devendo impostos, na eterna guerra pela audiência e com um recente ciúme da Internet, nossa Imprensa (Televisão) sucumbiu ao apelo bilionário do governo. Um importante aliado está entre amordaçado, chantageado ou subornado.
As Forças Armadas:
Ulisses Guimarães, certa vez, mencionou esta frase, referindo-se ao regime instalado em 1964: “Matar o mostro é fácil, o difícil é remover seus escombros”.
De fato! Se repararmos bem, José Sarney é o comando da Arena que traiu seus companheiros e se aliou ao PMDB, para eleger, no colégio eleitoral, Tancredo Neves. Sem maiores comentários, quem governou foi Sarney e, desde então, de uma forma ou de outra, tem estado no centro do Poder e das decisões. Até que, recentemente, assumiu a posição de Rei ou Imperador acima da Lei e dos demais poderes. Nas passeatas, na Paulista, encontrei alguns patriotas que defendem a Monarquia. Ora, que falta de observação, já estamos nela, ou sequer saímos.
Para as Forças Armadas, os militares, sobraram o desprezo, o ostracismo, a culpa por tudo que ocorreu. Um processo silencioso de afastamento das Forças Armadas da população e da vida política e social do Brasil foi engendrado de propósito, para enfraqueça-la e separá-la da Sociedade brasileira. O Atual governo acredita que um Estado pode existir sem exército, que questões importantes como as bases americanas na Colômbia, Chávez, gasto de bilhões em equipamentos, apoio ao Irã, podem ser decididas, sem que a Sociedade Brasileira ouça a opinião dos seus militares. Opinião de militar não conta?
A péssima e caótica educação que nossas crianças e jovens recebem não contempla noções de civismo, amor à Pátria, respeito à Lei e aos que deram suas vidas para chegássemos aonde chagamos.
Não entrando na questão pessoal da cantora Vanusa, talvez, aquele hino nacional seja a manifestação inconsciente de um Brasil, que já não pode mais se olhar no espelho, sem sentir vergonha. Um país sem exército respeitado, sem noção de patriotismo, civismo e, principalmente, sem respeito por si mesmo, será presa fácil dos interesses dos inimigos externos e internos.
É hora das Forças Armadas serem incorporadas à vida nacional. Até prova em contrário, é a única instituição, ainda, a merecer a confiança da Sociedade brasileira.
A situação:
Diante dos escândalos já mencionados, a Sociedade brasileira clamou, para que o Legislativo se resolvesse e reparasse seus defeitos, permitindo, o caminhar dentro do regime democrático. O Legislativo falhou e decepcionou. A Sociedade brasileira clamou para que a Polícia e a Justiça investigassem, processassem, julgassem e condenassem os culpados. Eu mesmo, na passeata do dia 22 de agosto, na Paulista, com um megafone, disse que em qualquer país sério e democrático do mundo, o presidente Sarney estaria preso. Os policiais anotaram meus documentos, etc. Se isso não é uma denúncia, não sei o que é. A Polícia a Justiça falharam. A Sociedade brasileira clamou para a Imprensa, e esta lhe virou as costas. É importante salientar que algum apoio veio da Imprensa Internacional. E, o Executivo está envolvido nessas irregularidades, até ao pescoço.
Assim, ficou tudo, por isso mesmo. Sarney está lá, em um Senado fantasmagórico. A Câmara entre a cruz e a caldeirinha, e o executivo, irresponsável, sem nenhum constrangimento, está propondo criação e aumento de impostos, de empresa e investimentos debilhõese bilhões de reais, em projetos duvidosos, não querendo, sequer, que sejam debatidos com tempo e profundidade suficientes, com a Sociedade brasileira. Como se não fosse ela a proprietária majoritária da Petrobras e demais estatais. A CPI que deveria investigar as irregularidades na Petrobras, simplesmente parada. E, o povo fingindo, que não vê. Pois, todo mundo sabe o que aconteceu. Só ouço: É assim mesmo. Sempre foi assim.
Poderíamos deixar tudo como está. Esperar para vermos os resultados de médio e longo prazo, e depois dizer: Eu bem que avisei. Poderíamos. Mas, não devemos.
As decisões e situações do momento não influenciarão somente as eleições de 2010 e a atual população. Este governo (Legislativo e Executivo) que traiu suas promessas de campanha quer mexer em coisas que influenciarão a vida do povo brasileiro por décadas. Implicarão em como nossos filhos, netos e as futuras gerações de brasileiros viverão. Influenciarão na soberania e na segurança nacional. Um erro na questão energética e poderemos nos tornar um país escravo das tecnologias desenvolvidas por outros povos. E, é sempre bom lembrar, que não se come petróleo. A questão ambiental também não pode esperar. Até as eleições de 2010, muitos estragos poderão ocorrer. Estragos que poderão ser irreparáveis.
A solução:
A Sociedade brasileira torceu por uma solução dentro do sistema democrático. Mas, não há. Quando nossos altos mandatários cometem crime, não há mecanismo, que possa responsabilizá-los. Eles mesmos se investigam e se inocentam. Que absurdo. Estamos sob censura na Imprensa, A Lei está acintosamente desrespeitada, tanto a Constituição quanto decisões do Supremo, e o presidente Lula está a distribuir bilhões, sem querer discutir o assunto, tomando decisões sobre assuntos nacionais e internacionais, que afetarão nosso futuro. Que democracia é essa?
Assim, A Sociedade brasileira convoca as Forças Armadas Brasileiras para que intervenham, em nome do futuro das crianças brasileiras. Formem um governo provisório, que não criará ou modificará Leis, apenas manterá a administração pública funcionando. Dissolverá o Senado, convocará para 90 dias uma assembléia nacional constituinte exclusiva, para votar uma reforma política a qual, entre outros assuntos, deverá decidir sobre a forma de governo e a existência de um Senado. Deverá ser instaurado um inquérito militar para apurar o mensalão, a crise no Senado, a Petrobras e outras denúncias de corrupção nas estatais. Censura? Já estamos censurados. No entanto, cabe à Imprensa publicar a verdade. Liberdade de expressão deve ser garantida, dentro da ordem pública. Os que quiserem defender o atual governo, que aguardem as investigações e votem nos seus candidatos, nas eleições de 2010, as quais deverão ser mantidas. Outras questões operacionais terão que ser tratadas à medida que os fatos forem se apresentado.
Se as Forças Armadas vão atender ou não, é uma ótima questão. No entanto, se nem as Forças Armadas estiverem dispostas a lutar pela Pátria, que Deus se apiede de nós.
Para os falsos que criticarem esta solução, lembro que isto aqui é um exemplo bem melhor a ser dado aos nossos jovens, do que a covarde acomodação e omissão. Só não poderão dizer, no futuro, que ninguém teve a coragem de convocar as Forças Armadas.
O dia da Pátria. 7 de setembro de 2009.
Independência ou morte!
Fontes utilizadas: UOL - Folha de São Paulo – Estado de São Paulo – O Globo – Correio Brasiliense – VEJA.com - The New York Times – Agência Reuters – El Heraldo (Honduras) - Wikipedia