Perdemos, no dia 3 de abril/09, o ex-deputado federal e jornalista Márcio Moreira Alves. Um ícone da resistência à ditadura militar instalada em 1964. Marcito, como era conhecido, nasceu no Rio de Janeiro aos 14 de julho de 1936. Foi correspondente de guerra, em uma época onde não havia internet e telefone celular. Foi ferido e, mesmo assim, conseguiu enviar a reportagem por telegrama, o que lhe valeu seu primeiro prêmio jornalístico.
Márcio Moreira Alves ficou famoso pelo discurso que fez na Câmara dos deputados, em 2 de setembro de 1968, no qual sugeriu o boicote às comemorações do 7 de setembro e que as moças não namorassem os militares. Atribui-se a este discurso, e à recusa da Câmara em conceder permissão para que fosse processado, a edição, como represália dos militares, do Ato institucional número 5.
ADMINISTRAÇÃO:Análise da conjuntura(Sérgio Fernando de Freitas)
AOPÉDALETRA(Onofre de Freitas)
ADMINISTRAÇÃO:
Análise da Conjuntura
Sérgio Freitas
(Política)
Vamos enxugar o Legislativo:
Após muita manha, a Câmara dos deputados resolveu acabar com a chamada farra das passagens aéreas. No Senado, a atitude foi a mesma. Isto é ótimo. Contudo, é apenas um pequeno passo na direção correta. No Senado, a coisa já chegou ao caso de polícia. Crime mesmo. Com empresa-fantasma, em nome de babá de 80 anos, para negociar empréstimos para funcionários da Casa, negociação de passagens aéreas com agência de turismo, para não falarmos no pagamento dos salários do motorista e secretária do ministro Hélio Costa, conta de telefone da filha do senador Tião Viana, fretamento de jatinhos, viúva recebendo R$ 118 mil da verba de passagem aérea do falecido senador Jefferson Peres, etc. Não foi possível nos comovermos com o choro dos senadores, alguns declarando que estavam ferrados. Por que eles acham que o dinheiro público existe para que eles gastem da forma que quiserem ou, como outro disse: gasto do jeito que eu quiser e não tenho de dar satisfações. Na Câmara, não é muito diferente. Também ocorreram comércio ilegal de passagens aéreas, desvios e corrupção para todos os lados. Praticamente ninguém escapou. Se gritar pega o avião, não sobra um, meu irmão. O descontrole chegou ao nível da farra, mesmo. Time de futebol, mulher bonita, sindicalista, família, amigos, todo mundo viajou e se divertiu com o dinheiro do contribuinte, esse dinheiro que nós declaramos ai, na declaração de renda, ou que os pobres pagam quando compram o seu arroz e feijão. O pior é que isto foi apenas uma pontinha que foi puxada. Temos de fiscalizar melhor. Só Deus sabe o que vamos encontrar.
O presidente Lula declarou no dia primeiro de maio que seria hipocrisia denunciar o uso irregular de passagens aéreas pelos deputados. Sem dúvida seria, se o presidente denunciasse. Afinal, a Sociedade não esqueceu aquela infeliz entrevista, em Paris, quando o presidente achou normal o dinheiro não contabilizado de campanha, aquele do mensalão. O presidente também acha normal que suas despesas, pagas pelo contribuinte, sejam ocultas em nome de uma pseudo-segurança nacional. Ele acha normal, também, toda essa corrupção que, como um câncer, se espalha pelo corpo do Estado. O presidente e outros, como o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), tentam estabelecer a tese de que tudo isso acontece há mais de 50 anos, ou 500, e, portanto, devemos nos conformar.
Presidente Lula, o fato de uma coisa errada ser costume por décadas não significa que devemos nos conformar e deixarmos que a coisa errada sobreviva por mais algumas décadas, ou quem sabe, para sempre? Vamos ficar esperando o quê? Um super-herói? O qual virá, com sua capa verde e amarela, nos salvar dos corruptos, ladrões e espertos instalados e aboletados no Estado brasileiro. Não, uma vez consciente, graças à Imprensa livre, a Sociedade precisa reagir e agir para que a decência e o respeito sejam restabelecidos. Não, presidente. Esta tese, sempre foi assim, não vinga.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) fez, dia 6 de abril último, um discurso, da tribuna do Senado, sugerindo um plebiscito para que o povo decidisse sobre o fechamento ou não do Congresso nacional. Não é necessário ser vidente para saber qual resultado emergiria das urnas.
Bem, caro senador, eu sou favorável a uma profunda reforma no Legislativo, da qual a extinção do Senado, ou fusão, faria parte, ficando apenas a Câmara dos deputados, com o nome de Congresso nacional. Estou convencido que algo neste sentido precisa acontecer. Pois, da forma que está, principalmente o Senado, a Democracia corre sério perigo.
No entanto, caro senador, um plebiscito sobre a aprovação de uma reforma seria uma boa idéia, mas, um plebiscito, para o fechamento do Legislativo, seria, como o próprio senador sugeriu, um erro.
Tudo isso nos leva para a constatação de que uma reforma política que, além das questões eleitorais, abranja uma reforma administrativa no Legislativo é inevitável. É preciso rever todo o modos operandi. As duas Casas devem sem fundidas em uma só, a qual chamaremos de Congresso. Essa reforma deve contemplar a redução dos custos, a simplificação da tramitação dos projetos de lei e, por fim, mas não por último, a moralização do Poder legislativo.
É preciso acabar com essa cultura reinante, de que o Legislativo existe para resolver os problemas dos congressistas, dar-lhes privilégios e enriquecê-los. Os demais poderes também carecem de reformas, no entanto, a primeira, necessariamente, deve ser a do Legislativo, sem a qual, as outras serão bem mais difíceis. O Senado, com seu custo de R$ 2,7 bilhões por ano, sua estrutura ineficiente e esquemas ilícitos, já deu o que tinha de dar. Precisamos de um Legislativo, o Congresso, eficiente, transparente e mais barato. Por favor, não venham com o clichê: Democracia não tem preço. Democracia tem preço, e a Democracia brasileira é a mais cara do mundo. Queremos um desconto. Assim, no bojo de uma reforma séria e abrangente os senhores congressistas poderiam discutir com a Sociedade sobre qual salário seria justo e conveniente para o exercício do mandato. Falar em aumento de salário agora é inaceitável, e receberá forte oposição da Sociedade. Não precisamos lembrar aos congressistas de que há uma crise econômica e financeira mundial, surto de gripe, desemprego, etc.
Ministra doente:
É lamentável que a ministra Dilma Rousseff tenha de enfrentar esse problema de saúde. Desejamos sucesso no tratamento e que, em breve, tudo isso seja coisa do passado. Nada mais justo que esse assunto fique restrito à esfera íntima da ministra. Assim deve ser. No entanto, o presidente Lula, que em minha opinião fala demais, já está usando o caso para fazer campanha. Tudo bem, já pediu para que o povo reze pela ministra. Seria bom, se ele pedisse para que rezássemos por todos os doentes, principalmente, pelos que dependem da saúde pública, o que não é o caso da ministra. No entanto, se a doença servir para criar uma espécie de heroína, a brasileira que não desiste nunca, quem sabe até no palanque com Ronaldo, o fenômeno? O tiro poderá sair pela culatra. Ministra Dilma, espero que cumpra a sua promessa de não transformar o assunto em espetáculo midiático.
Judiciário:
Quanto ao bate-boca, entre o ministro Joaquim Barbosa e o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, foi realmente lamentável. Não significa uma crise no Judiciário. Parece que os dois brigam desde a faculdade. No entanto, está claro, o ministro Barbosa errou na mão. O ministro Gilmar recebeu pronta solidariedade dos demais ministros e parece que a situação está se conformando. O ministro Gilmar vai me perdoar, mas, que saudades da época em que a ministra Hellen Gracie presidia o Supremo. É triste a notícia de que ela irá deixar o Supremo. Fica ministra, fica.
A maior prova de que não há crise no Supremo foi a extinção da lei de Imprensa, no último dia 30 de abril. Todos os ministros estão de parabéns, independentemente do seu voto. O debate foi muito interessante, rico e até emocionante. Foi um espetáculo. Os ministros demonstraram grande capacidade, pesquisa, seriedade e acabaram nos deleitando com um debate no final. Os senhores ministros do Supremo estão valendo o que custam, não só por esta decisão, mas, por tantas outras que vêm ao encontro das necessidades e dos anseios da Sociedade brasileira.Para a Sociedade foi importante a revogação de uma lei oriunda do período de exceção. Vamos aguardar que a Imprensa tome a importante iniciativa de se auto-regular, com ênfase no respeito ao Direito do cidadão comum, em especial, o Direito de resposta, motivo de grande preocupação manifestada por parte dos ministros.
Na esteira do assunto, a Sociedade aguarda com atenção o desfecho do caso Satiagraha. Depois dos depoimentos, indiciamentos, etc. Vamos conferir quem vai preso.
Lei antifumo:
Felizmente, a lei antifumo do governador Serra (SP) foi aprovada pela Assembléia legislativa de Estado de São Paulo sem ameaças de punição para o fumante, embora a possibilidade de que a Polícia seja chamada está presente na lei. É claro que ninguém está defendendo que os que fumam possam empestar o ar dos que não fumam, em qualquer lugar. O que incomodou foi a forma truculenta com que a lei foi imposta. Tutela excessiva do Estado. Pouca ou quase nenhuma discussão com a Sociedade, Bares, Restaurantes, Condomínios e os próprios fumantes. Em minha opinião, essa é uma questão de Educação e não de autoridade ou autoritarismo. Bastaria uma campanha bem-feita. Pronto. É preciso, não obstante a boa intenção do governador, prestarmos muita atenção e termos muito cuidado quando se trata de Direitos e Liberdades individuais. A experiência histórica mostra, sem sombra de dúvida, que os regimes totalitários nascem destas pequenas coisas. Primeiro, proíbem de sairmos com o carro um dia por semana. Mas, entendemos que isso é necessário devido ao problema de trânsito. Depois, proíbem beber e dirigir. Mas, entendemos que isso é importante para a segurança. Em seguida, proíbem fumar em locais públicos. Mas, entendemos que é razoável. Depois, proíbem de sairmos dois dias com o carro. Depois, proíbem de fumar em casa. Depois, proíbem beber em qualquer situação, instalam Chips nos nossos carros, proíbem sairmos com o carro quatro dias por semana, passam a cobrar pedágio para a movimentação de pessoas (há estudos e até desenvolvimento de tecnologia para isso nos EUA), instalam Chips em nós. Depois, proíbem reuniões públicas, proíbem isto, proíbem aquilo e quando menos esperarmos, decretam toque de recolher... (como em uma cidade no interior do Estado de SP)Exagero meu? Não. Em questão de Direitos e Liberdades individuais, todo o cuidado é pouco.
Obs: Que fique claro: Eu não fumo, cheguei a fumar há muitos anos atrás, mas larguei. Aconselho o mesmo para aquele que fuma. Deve ser uma decisão espontânea, livre e baseada no entendimento de que o fumo é prejudicial à saúde.
Quando derem vez ao morro:
As favelas da cidade do Rio de Janeiro estão sendo muradas. É isso mesmo. Estão construindo muros, se não me engano, de mais de 3 metros no entorno das favelas do Rio. Como não conseguem prender os bandidos, resolveram prender a favela inteira. O próximo passo será construir um fosso pleno de jacarés famintos e depois, é claro, uma ponte levadiça basculante (brincadeira). Será que durante as Olimpíadas vão trancar os favelados nessas cidadelas? Sinceramente, fico abismado diante das idéias dos governantes cariocas. São só paliativos, com pouca chance de dar certo. Agora vão ter de vigiar os muros que, sem dúvida, não vão durar muito, ou, quem não vai durar muito são os favelados.
São Paulo sempre será Esparta, o Rio sempre será Atenas, se o aquecimento global deixar.Os cariocas precisam fazer seus governantes levarem essas questões, favelas, violência, tráfico, meio-ambiente, um pouco mais a sério. Não se trata de mais violência e sim de mais inteligência. Existe uma propaganda, não vou citar o produto para não fazer propaganda, em que um grupo de rapazes está cantando alegremente, quando uma mocinha, em pânico e descontrolada, os alerta sobre a crise econômica e ambiental. Os rapazes param um pouco, tentam pensar e, voltam a cantar alegremente, tristeza, por favor, vá embora... Esse é problema. É claro que o bom humor e a alegria são componentes essenciais para nós humanos. No entanto, é preciso dosar. É preciso ter responsabilidade. Não vai ser com alegria e bom humor que vamos impedir o vírus influenza A (H1N1) de chegar ao Brasil. Tão pouco a nossa economia vai crescer à base de risadas. O Rio será a sede das Olimpíadas que escondeu os mendigos e a sujeira atrás do muro?
No âmbito internacional:
A Coréia do norte lançou o dito foguete/míssil. Depois de muita discussão e falta de consenso na ONU (Organização das Nações Unidas), leia-se Conselho de Segurança, foi emitido um texto condenando o lançamento, propondo sanções e cobrando o cumprimento de outras sanções anteriormente aplicadas.
O esboço de declaração, anunciado, pela Reuters, de pronto, nos faz chegar a algumas conclusões:
1)Os Estados Unidos só valorizam a ONU quando lhes convém.
2)O Conselho de segurança precisa espelhar, com urgência, urgentíssima, a atual realidade política e econômica no mundo.
3)A questão da Coréia do Norte precisa ser debatida perante a assembléia da ONU, não só no conselho de segurança.
A reunião das 20 maiores economias do mundo, G20, foi muito bem recebida por todos. O Brasil, segundo comentário dos nossos jornalistas, ficou bem, na foto. Algumas medidas importantes foram anunciadas. Foi um começo. No entanto, muitos problemas, principalmente na economia americana, ficaram sem solução.
Algumas impressões sobre a reunião:
1 Do ponto de vista das cerimônias e do visual, ardeu fogueira das vaidades, por parte de alguns.
2 Não se falou de forma séria sobre os títulos tóxicos. Mudanças nas regras contábeis são inaceitáveis. Quem realmente vai se beneficiar dos trilhões?
3 Não sei se é chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI (Fundo Monetário Internacional), quem poderia discursar sobre isto, com grande propriedade, seria o saudoso deputado Clodovil, mas, é necessário? É bom para o Brasil? O amigo do presidente Lula, Hugo Chávez, declarou que o dinheiro para o FMI alimenta abutres.
4 A rainha Elizabeth, se mostrou muito bem-humorada.
5 Aliás, no final da sessão de fotos ela disse: estamos todos felizes. Todos riram.
Se isto é verdade, é preocupante.
Tivemos, também, a 5ª Cúpula das Américas, em Port of Spain (Trinidad e Tobago), onde 34 líderes discutiram diversos assuntos, em especial, um novo capítulo nas relações entre os Estados Unidos e a América latina. Um dos pontos mais discutidos, porém, sem nenhum resultado prático, foi o embargo dos EUA contra Cuba. É bem verdade que esse embargo já não tem muito sentido e só aumenta o sofrimento do povo cubano. As poucas medidas anunciadas, por Obama, a estrela da festa, no sentido de facilitar o envio de recursos, estão longe de representarem uma mudança de relacionamento. No entanto, o fim do embargo não depende apenas da vontade de Obama, mas de aprovação no Congresso. Isso vai demorar. Ajudaria muito se sinais inequívocos de redemocratização da ilha fossem emitidos pelo governo cubano, mas, isso também parece que vai demorar. O presidente Chávez foi só cortesia para com Obama, inclusive, anunciou que vai recolocar seu embaixador nos Estados Unidos. Tudo ótimo, todos cordiais e alegres, mas, uma resposta séria e convincente para a crise econômica e financeira, não emergiu desse encontro. Como no caso do G20, só boas intenções.
Na Bolívia, o presidente Evo Morales resolveu, no melhor estilo Mahatma Gandhi (1), fazer greve de fome para que o Congresso nacional da Bolívia aprovasse, o que acabou acontecendo, a lei de regime eleitoral transitório que permitirá a realização de eleições, no dia 6 de dezembro, quando o presidente Morales tentará se manter na Presidência. Conhecendo o presidente Lula, esse risco, aqui, não corremos. Depois, foi anunciado um complô para assassinar Evo Morales, envolvendo cidadãos da Irlanda, Romênia, Croácia e Hungria. Seriam mercenários. Três foram mortos pela Polícia boliviana e outros dois foram presos. A oposição boliviana pediu uma investigação internacional e acusou o Governo de estar fazendo uma manobra contra os governadores da oposição. O assunto simplesmente sumiu dos noticiários. Cabe, aqui, um conselho ao presidente Evo Morales: Menos propaganda e mais seriedade.
Negociar é ouvir o que o outro tem a dizer, mesmo que não seja aquilo que queremos ouvir. Negociar é argumentar, rebater, ouvir novamente, argumentar, ceder um pouco aqui, ganhar um pouco ali. Bom negócio é aquele que é bom para todas as partes. Neste sentido, foi incompreensível a debandada de diplomatas durante o discurso do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, na conferência das Nações unidas sobre o racismo, em Genebra. Não vão conversar?
Analistas afirmam que o maior perigo nucelar não está na Coréia do norte ou no Irã. Afirmam que está no Paquistão. O que Obama teria a dizer sobre isto?
Presidente Fernando Lugo, do Paraguai, e seus filhos. Que vergonha!
Por fim, fomos todos surpreendidos pela gripe causada pelo vírus influenza A (H1N1) cuja contaminação já se aproxima de 1000 pessoas, pelo mundo. Ainda é muito cedo para falarmos em pandemia, não obstante o fato da OMS (Organização Mundial de Saúde) ter elevado para nível 5 o grau de alerta em uma escala de até 6. Preocupante o fato de o presidente Lula estar dando à gripe o mesmo tratamento dado à marolinha. Por que o presidente faz piada de tudo? Quando vai entender que ele é um chefe de Estado e Governo e não um comediante?
(Economia)
O presidente Lula gosta muito de fazer analogias com o futebol. Desta vez, ele vai me perdoar. O presidente Lula recebeu um bolão do presidente Obama. A Galera ficou tão entusiasmada que o ambiente interno melhorou muito, até descolar, a Bolsa de São Paulo anda ensaiando. É claro que é tudo uma questão de estado de espírito. Objetivamente, nada mudou desde a reunião do G20.
Só que o presidente Lula é fominha. Ele não dá passe, e quer sozinho fazer o gol. Deveria estar aproveitando a oportunidade para manter uma postura séria, confiante, mas consciente. No entanto, prefere novamente negar a importância da crise. Por chutar para fora, acaba.
Presidente Lula, a sua declaração de que 50% da crise é pânico da Sociedade foi muito inadequada. A Sociedade brasileira enfrentou a marolinha com tranqüilidade e coragem. Um dos poucos brasileiros em pânico, que foi visto, foi vossa excelência.
Ainda sobre a reunião do G20;
A Economia usa, mas não é ciência exata. O que é humano é imprevisível;
É um começo, é claro;
Maquiar balanços nos Estados Unidos não vai ajudar;
É preciso que as medidas sejam melhores divulgadas, detalhadas e analisadas, antes da euforia.
A questão dos títulos tóxicos não foi resolvida. A economia americana continua ladeira abaixo, com montadoras de automóveis pedindo concordata e tentando, quem diria, associação com a FIAT. Ainda teremos notícias muito ruins vindas das economias centrais. Os americanos estão extremamente endividados e vai levar um bom tempo para se recuperarem, sendo que depois desta lição, dificilmente cometerão os mesmos erros. Ficar especulando se chegamos ao fundo do poço ou não. Acreditar que a solução da crise passa necessariamente pela recuperação rápida da economia americana é perda de tempo. Aliás, não é razoável jogar a responsabilidade da recuperação nos americanos. Temos de ser criativos, persistentes e procurarmos soluções inovadoras. O jeito é continuar trabalhando e fazendo o que tem de ser feito e, se chagamos ao fundo do poço, ou não, saberemos depois.
Dando continuidade à nossa análise da Sustentabilidade Global (SG), como já consideramos o fato de que a indústria automotiva será diferente, na próxima década, provavelmente mais dedicada ao transporte de grupos e ao transporte individual de alta tecnologia e desempenho, e desocupando o lugar de honra na economia, seria importante, antes de avançarmos, alertarmos aos urbanistas, engenheiros, administradores, empresários, governantes e a todos, que o transporte do Século XXI é tridimensional. Precisamos parar de pensar somente nas ruas e no subsolo. Temos de aprender a olhar o espaço aéreo, esse abismo sobre nossas cabeças, como via de transporte urbano. É um desafio que teremos de enfrentar. Logo a seguir, vem a Água. Água potável fresca. Uma commodity(2). Afirmo, sem correr risco de errar, que nossas reservas de Água potável fresca são mais valiosas do que nossas reservas de petróleo. A Amazônia será o lastro da nossa economia. Alimentos de origem vegetal e mineral serão outras commodities importantes. Ainda há outras nuances a serem examinadas posteriormente.
Já é possível vislumbrarmos como a corrente econômica irá fluir no sentido de obter e manter esses bens, citados acima. Esse será o centro econômico virtuoso da Sustentabilidade Global.
O Governo brasileiro está gastando muito, muito mesmo. Em custeio e outras bobagens.Investimentos, muito pouco. A arrecadação vem caindo de forma assustadora. Assim começam a surgir outros complicadores que poderão deter a queda da taxa de juros. A questão da poupança está sendo tratada de forma muito ruim, do ponto de vista da comunicação social. Há pessoas, mal-intencionadas, tentando criar pânico, dizendo que o governo vai fazer o mesmo que foi feito na Era Collor, de triste lembrança. É preciso um esclarecimento cabal sobre a questão e uma decisão. Ficar empurrando não resolve. Só piora.
No país dos juros e spread indecentes, o mercado reagiu, com um pé atrás, ao anúncio da substituição do presidente do Banco do Brasil. É verdade que interferência do Governo na economia sempre preocupa. No entanto, neste caso, parece ser acertada. Acreditar que os banqueiros, acostumados e viciados em lucrarem, imensamente, mediante esse spread indecente que vigora no país, vão reduzir seus lucros espontaneamente, é acreditar em Papai Noel. Portanto, só restou ao Governo usar os Bancos públicos para gerar concorrência. Tomara que sejam habilidosos, tenham cuidado e obtenham êxito.
Não é necessário que o Banco público tenha prejuízo. É só ter um lucro normal, dentro dos parâmetros internacionais e concernentes com os interesses da Sociedade e não com os interesses dos Fundos de pensão que podem e devem diversificar suas aplicações. No entanto, é preciso criar uma espécie de portabilidade bancária, ou seja, uma forma rápida e prática de um cidadão poder mudar de Banco mantendo as mesmas facilidades, crédito e condições que possui no Banco de origem. Coisa simples e fácil. Atualmente é complicado mudar de Banco no Brasil. Assim, sem concorrência, os banqueiros abusam, sem dó.
A gripe influenza A (H1N1) poderá, sem dúvida, complicar a situação econômica mundial, já bastante grave. Ainda é muito cedo para qualquer tipo de avaliação. O México, é claro, já foi economicamente afetado. Para o resto do mundo e para nós no Brasil, só resta esperarmos e confiarmos na habilidade e seriedade da Organização Mundial de Saúde, dos governos em geral e do nosso em particular. Não sou médico. Como cidadão, acredito que o Governo brasileiro não tem dado a merecida atenção aos portos, aeroportos, fronteiras, etc. Provavelmente, o nosso Governo está mais preocupado em não gerar pânico e comprometer a economia. Faz sentido. Contudo, vale lembrar ao nosso Governo que, entre salvar a economia ou as vidas e a saúde dos nossos cidadãos, a escolha é óbvia.
Sinal dos tempos.
(Foto UOL)
PROJEÇÕES:
As projeções abaixo ainda não contemplam análises sobre a influência da gripe influenza A (H1N1) na economia mundial e brasileira.
Inflação: 4,60% (IPCA)- Viés de Baixa.
Crescimento do PIB: Método Anterior 1,19%/ Método Atual1,89% = Sem Viés.
Cotação Euro Dez/09:R$ 2,854 a R$ 2,904 = Sem Viés.
Cotação Dólar Dez/09:R$ 2,089 a R$ 2,139 = Sem Viés.
04/05/2009 15:49
Indicadores do mercado:
BOVESPA
2009
30/mar
30/abr
Var %
pontos
40653
47289
6636
16,324
Nasdaq
2009
30/mar
30/abr
Var %
pontos
1501,800
1711,940
210,14
13,993
EURO
2009
30/mar
30/abr
Var %
3,074
2,883
-0,1915
-6,230
Dollar
Comercial
2009
30/mar
30/abr
Var %
2,332
2,181
-0,151
-6,475
Fonte: CMA.
Câmbio:
Compra
Venda
31/04 (PTAX)
2,1775
2,1783
Juros
Taxa SELIC - Meta
10,25%
Reunião Copom: 29/04Sem Viés
Taxa SELIC diária
10,16%
30/abr
Reservas internacionais;
Conceito de liquidez Internacional.
Posição em 29 de abril de 2009: US$ 201.941 Milhões.
Fonte: Banco Central do Brasil.
(1) Mohandas Karamchand Gandhi, mais conhecido popularmente por Mahatma Gandhi ("Mahatma", do sânscrito"A Grande Alma") (Nova Déli, 2 de Outubro de 1869 Nova Déli, 30 de Janeiro de 1948) foi um dos idealizadores e fundadores do moderno estadoindiano e um influente defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução. (Wikipedia)
Fontes utilizadas neste boletim: Folha de São Paulo Estado de São Paulo - UOL The New York Times Agência Reuters - Correio Brasiliense El Pais Agência ANSA France Presse - Valor Econômico - Wikipedia
Sérgio Fernando de Freitas (administrador CRA SP 60.104)sergio@optimaconsultoria.com.br
sergio@optimabrazil.com
Filosofia, Direito & Literatura
Prof. Onofre de Freitas
AOPÉDALETRA
Hoje, ao caminhar pela cidade, vi nada menos do que um pé atirado ao lixo. Mas não era um pé de arruda, um pé de alface, um pé-de-meia, um pé-de-boi, um pé-de-chumbo ou pé-de-cabra. Era um pé de gaze e gesso, desses que servem de pé de apoio a um pé quebrado. Certamente alguém achou um pé de briga com algum pé-de-valsa ou pé-de-samba. Perdeu o pé da situação e caiu ao pé de alguém de pé atrás, que lhe deu um bico de pé no pé da orelha. Perdeu o pé de apoio e caiu de quatro pés, isto é, como quadrúpede, e quebrou o pé. Mal se sustendo em pé, foi levado a um hospital, onde lhe engessaram o pé. Eis, ao pé da letra, a história desse pé-de-gesso jogado na rua, e não no lixo hospitalar, o que tem dado o maior pé de briga aos defensores da ecologia.
Como hoje é quinta, e amanhã é sexta Feriado do Trabalho recomenda-se a quem pretende estar ao pé de alguém e lhe dizer coisas ao pé do ouvido, tomando umas e outras, que se abstenha de comer feijoada. Isso porque feijoada contém rabinho e pé de porco algo perigoso que pode nos levar a ter os pés na cova!
Se estás com o pé no estribo e pretendes pôr o pé no mundo, vai num pé e volta no outro. O melhor é fincar pé em casa.
Defende-te da gripe suína. Dessa crise mexicana tem como tirar o pé do lodo, mas da crise americana não tem como tomar pé. Por isso não metas os pés pelas mãos!
Fique aqui esse conselho de quem se assina ao pé da página.